14/5/16

#FuerzaDilma, não ceda aos golpistas [+ video]


Los millones de brasileños que llevaron a Dilma Rousseff a la presidencia de la República Federativa de Brasil y simpatizantes de todo el mundo han visto con preocupación, que unas decenas de senadores, lleguen a la magistratura de la nación porque no pudieron en las urnas. Con ello se quiebra la democracia, y se sienta un precedente único. La derecha con todo el poderío del capital ha sacado mejor las lecciones que los movimientos populares, relegados y no reivindicados por las alianzas que no conducen a la revolución. Tampoco podemos quedarnos en silencio.

A continuación la Carta Abierta del economista Peter Koengin que pide a Dilma que "no ceda a los golpistas", que han cometido un acto de delincuencia jamás visto en el mundo. 

“O que se vê desenrolar-se no Brasil é ato de delinquência de um tipo que praticamente jamais se viu acontecer no mundo. Os golpistas brasileiros, fantoches dos ‘mestres’ em Washington, não passam de escroques conhecidos, todos com processos por corrupção atados ao pescoço. Pois e mesmo assim continuam, claro que amparados no completo apoio político que lhes dão os escroques chefes que vivem dentro e em torno da Casa Branca em Washington. O mundo apenas assiste, em silêncio”, diz o economista Peter Koenig, que já atual no Banco Mundial e escreve sobre geopolítica para a Global Research.

Prezada presidenta Rousseff,

Por favor, não ceda! Não deixe que a corrupta direita neoliberal com a ajuda de – não, por instigação de Washington – roube o seu país, que roube o Brasil dos brasileiros, para rasgar e destruir tudo que você e Lula conseguiram nos últimos 14 anos, educação pública e serviços públicos de saúde de boa qualidade, transporte público moderno e eficiente, uma rede básica de segurança social – uma sociedade mais igual.

Durante a última década e meia, vocês conseguiram distribuir os benefícios da riqueza do Brasil para a maioria dos brasileiros, começando a reverter a maré, que antes sempre correu na direção dos oligarcas, dos latifundiários – para o povo, para os que trabalham a terra, que construíram e ainda constroem e sonham com continuar a construir um Brasil para os brasileiros.

A besta agonizante ainda ruge no norte – e não pode tolerar que forças livre e autônomas prosperem no “quintal”. Estão inventando novo tipo de golpe – menos sangue, mais fraudes, fraude nas eleições, como na Argentina, e na Venezuela.

No caso do Brasil, é fraude construída dentro do poder legislativo, que comprou e pôs nem posições chaves políticos-escroques, como o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara de Deputados Eduardo Cunha, o qual ascendeu miraculosamente (foi ‘eleito’) à sua atual posição em fevereiro de 2015 – e, isso, em pleno gigantesco escândalo de corrupção chamado “Operação ‘Car Wash'”, na qual está envolvido com propinas que chegam a dezenas de milhões de dólares supostos da Petrobrás.

Golpe semelhante de impeachment dentro do Parlamento aconteceu no Paraguai em 2012, quando os mesmos ‘agentes’ norte-americanos removeram o presidente Fernando Lugo. O padrão repete-se bem claramente.

As acusações e provas contra Eduardo Cunha são desproporcionalmente mais graves que as acusações de ‘manipulação de contabilidade administrativa’ que Dilma Rousseff teria cometido. Além de não haver qualquer prova nesse caso da presidenta Rousseff, todo mundo faz e sempre fez o mesmo de que, agora, se acusa a presidenta do Brasil. Um dos casos em que aconteceu exatamente a mesma operação foi na criação norte-americana da OTAN na Europa.

Por favor, Dilma, não permita que os oligarcas e latifundiários voltem e recomecem a mandar no Brasil sob direção de Washington. Mr. Temer até já anunciou como, se chegar à presidência, desfará os benefícios sociais e as obras de igualdade que você e seu predecessor mostraram aos brasileiros e os fizeram conhecer e usufruir. Mr. Temer novamente entregará o Brasil aos banqueiros, J.P. Morgan e Goldman Sachs, e, claro, ao FMI – de volta à armadilha da dívida, essa sentença de morte para qualquer país.

Basta ver o que já está acontecendo ao seu vizinho do sul, a Argentina, sob governo do neoliberal – também imposto por Washington –, Mauricio Macri, que está novamente vendendo o país aos czares da dívida, Wall Street, o FED e – claro – o onipresente sempre reinante FMI. Nesse quarto mês de governo em Buenos Aires, Macri já fez a economia Argentina começar a girar para trás – em processo, como dizem muitos, de “atrasamento acelerado” – de volta aos níveis de 2004/2005, com níveis de miséria que ao final de março de 2016 estarão em 34% (em novembro de 2015, esse nível era de 12%). O desemprego e a inflação explodem, depois que Macri extinguiu contratos de mais de 120 mil funcionários públicos, o que serviu de exemplo para que a indústria privada também se pusesse a demitir alucinadamente. E também já ameaçou que há mais a caminho.

No dia da posse, dia 10 de dezembro, como prometera durante a campanha, Macri retirou todos os controles sobre a cotação do peso, o que disparou desvalorização que, em dado momento, chegou perto de 60% (de cerca de 9,4 pesos por dólar-EUA em novembro de 2015, para 15,8 pesos no final de fevereiro de 2016). De lá até hoje aconteceu uma pequena recuperação, com cotações que hoje chegam a 14 pesos/dólar (desvalorização de 30%, a partir dos números de antes de 10/12). Decorre daí inflação descomunal, que já empurrou vasto segmento de argentinos para a miséria. E está só começando.

O Advogado-geral do Brasil, Eduardo Cardozo, declarou que é ilegal todo o processo de impeachment contra você, presidenta Rousseff. Disse que o Brasil enfrenta uma tentativa de golpe de Estado.

O que se vê desenrolar-se no Brasil é ato de delinquência de um tipo que praticamente jamais se viu acontecer no mundo. Os golpistas brasileiros, fantoches dos ‘mestres’ em Washington, não passam de escroques conhecidos, todos com processos por corrupção atados ao pescoço. Pois e mesmo assim continuam, claro que amparados no completo apoio político que lhes dão os escroques chefes que vivem dentro e em torno da Casa Branca em Washington. O mundo apenas assiste, em silêncio.

Os seis gigantes da mídia-empresa anglo-saxônica ocidental que literalmente controlam 90% de todo o ‘noticiário’ que o ocidente consome, já providenciaram para que nenhum veículo, jornal ou TV, atreva-se a questionar o golpe flagrantemente ilegal e antidemocrático de que os brasileiros estão sendo vítimas. – Não fosse a fraude tão horrenda assacada contra o povo brasileiro, seria novelão político cômico, de ridículo jamais visto.

Você, Dilma, e Lula, libertaram o Brasil da colonização ocidental – mantida por ditaduras militares apoiadas pelos EUA durante o século passado. Não deixe que tudo isso se perca. Defenda o seu mandato, pela força, se tiver de ser.

Uno-me aqui ao meu amigo Andre Vltchek, quando diz que você use o que tiver de usar, músculos e força, se for necessário, para derrotar esse golpe de neo-oligarcas e latifundiários, e proteja os brasileiros, para que não sejam novamente massacrados pelo fascismo econômico neoliberal.

Expulse do país toda a mídia-empresa ocidental. Isso nada tem a ver com censurar a ‘livre expressão’ –, e é evidentemente deter a máquina de propaganda e mentiras contra o seu governo e contra as realizações do povo brasileiro. Impeça que prossiga a manipulação do pensamento dos brasileiros pelos sistemas prostitutos da ‘comunicação’ ocidental. Já praticamente não há no mundo quem não saiba que a chamada “mídia de informação” nada mais tem a ver com a antiga defesa do “direito à livre manifestação do pensamento” e do “livre discurso” como virtude essencial da democracia.

Aquela democracia ensinada pelos filósofos em Delfos, na Grécia, há 2.500 anos, já não existe. Foi sequestrada há muito tempo, gradualmente, quase imperceptivelmente, por Washington e seus aliados e vassalos. O que há hoje é uma muralha de propaganda; palavras a serem manipuladas para acomodar qualquer crença. E “as pessoas em geral” ainda engolem esse engodo, como se fosse “democracia”.

Ponha os tanques na rua, cerque com eles o Palácio do Planalto – de modo algum para provocar qualquer violência, mas para mostrar que a presidenta do Brasil tem poder, meios e coragem para proteger o povo que a elegeu e o país, contra o assalto de neofascistas e – sobretudo – contra os interesses de Washington, que está por trás desse inacreditável espetáculo de, literalmente, comandar e dirigir uma gangue de escroques – são criminosos! – para que tomem o Brasil e suas riquezas, como ‘procuradores’ de interesses dos EUA. – E, claro, para quebrar em pedaços o bloco dos países BRICS que, junto com a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) e a União Econômica Eurasiana (UEE), já ameaçam seriamente o grande sistema de economia de cassino baseado no dólar.

O Brasil também é rico em recursos naturais, como a Argentina também é, e Peru, Venezuela, Bolívia, Equador – toda a América Latina é rica de recursos que o ocidente cobiça para manter a opulência do seu padrão de vida e alimentar sua máquina de guerra –, quase o único fator gerador de PIB, além do consumo, claro; aquele círculo infernal de conflitos armados pelo mundo e de consumo que está destruindo o planeta.

Amazonas e Aquífero Guarani

Mas qual o específico recurso que há no Brasil, como um dos maiores reservatórios do mundo? Água. Água fresca e limpa. Água que depende de purificação relativamente simples para ser perfeitamente potável. Toda a Bacia Amazônica, quase metade da superfície do país, é coberta por redes praticamente sem fim de rios. A FAO estima que cerca de 12% de toda a água de superfície do mundo está em território brasileiro. Chega a cerca de 8,2 bilhões de metros cúbicos por ano, de água renovável, dos quais 6,3 metros cúbicos por ano nascem no Brasil. Equivale a disponibilidade de água per capita de mais de 43 mil m3/ano (a média mundial é de cerca de 8.200 m3/ano). – Como se não bastasse, o Brasil conta também com 112 mil km3 de água de subsolo, de boa qualidade e renovável.

Outra reserva de água fresca de subsolo da qual poucos sabem e praticamente ninguém fala é o Aquífero Guarani, que recebeu o nome do povo guarani. Cobre 1,2 milhão de km2, sob terras de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O volume de água estimado é de 37 mil km3, que supera em muito a quantidade de água de superfície do Brasil. Pode-se dizer que o maior corpo contínuo de água subterrânea do mundo, com recarga anual estimada de 170 km3 (a Grande Bacia Artesiana na Austrália, que cobre cerca de 23% da superfície do continente, tem cerca de 65 mil km3de água fresca, mas divididos em vários depósitos separados e é sujeito a secas cíclicas).

Esses reservatórios gigantes de água têm valor inestimável. Excede hoje o valor de todos os depósitos mundiais conhecidos de petróleo. Em menos de 20 anos, a Terra já estará sofrendo falta aguda de água. Algumas áreas já sofrem há anos de falta de água, e essas dificuldades já se espalham gradualmente para outras áreas do mundo.

Não porque a água estaria sumindo dos ecossistemas mundiais, não, não, de modo algum. O total de água na Mãe Terra é constante. O problema é que essa água está cada dia mais contaminada pelo consumo e pela indústria humana movida a ganância. As grandes potências, responsáveis pela mais grave e mais ampla poluição dos recursos, sabem de tudo isso.

Por isso tentam desesperadamente apropriar-se da água pura que ainda haja no planeta, para dar de beber às próprias elites, enquanto “Nós, o Povo”, morremos de sede e de fome por falta de água para cultivar alimentos.

Não surpreende portanto que os Estados Unidos do Caos e da Ganância tenham interesse vital, mas secreto, nesses recursos de água, sobretudo os que se escondem nas entranhas da terra do seu “quintal sul”. Basta reformatar a frase infame de Henry Kissinger sobre controlar o mundo: quem controla a água, controla o universo.

Prezada Dilma – por favor não ceda! – Não deixe que a elite neofascista, comandada pelo império do norte tome e ocupe seu país, o país dos brasileiros, e seus inestimáveis recursos – especialmente essa linha de sobrevivência para toda a humanidade: a água.


Tradução: Vila Vudu
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* Peter Koenig é economista e analista de geopolítica. Foi economista do Banco Mundial e trabalhou em vários países sempre dedicado a estudos do meio ambiente e recursos hídricos. Escreve regularmente para Global Research, ICH, RT, Sputnik, PressTV, CounterPunch, TeleSur, The Vineyard of The Saker Blog e outros sítios na internet.É autor de Implosion – An Economic Thriller about War, Environmental Destruction and Corporate Greed – ficção baseada em eventos dos seus 30 anos de experiência no Banco Central pelo mundo. TAmbém é co-autor de The World Order and Revolution! – Essays from the Resistance.
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